Caso Clínico • Fusão Lombar
Espondilolistese de L5-S1 por lise ístmica tratada por ALIF (artrodese lombar por via anterior): alívio da dor lombar e nas pernas
Apresentação do doente
A doente, com 60 anos, recorreu à consulta por dor lombar crónica de características mecânicas, associada a dor irradiada para as pernas. As queixas agravavam-se quando estava de pé, na marcha prolongada e ao inclinar-se para trás, e tinham um impacto relevante no dia a dia: limitavam-lhe a marcha e a capacidade de se manter muito tempo de pé. Tudo isto apesar de já ter feito o tratamento conservador adequado.
Diagnóstico
O estudo de imagem mostrou uma espondilolistese de grau I em L5-S1, causada por uma falha bilateral no arco ósseo da vértebra L5 (lise ístmica), com instabilidade do segmento e estreitamento do canal por onde sai a raiz nervosa em L5-S1. Era esta combinação, o deslizamento instável e a compressão da raiz, que explicava tanto a dor lombar mecânica como a dor nas pernas.

Porque escolhi esta técnica
Numa espondilolistese instável como esta, o objetivo é duplo: estabilizar o segmento e descomprimir a raiz nervosa. Optei por uma artrodese intersomática por via anterior (ALIF). O acesso anterior permite remover o disco doente e colocar um implante que restabelece a altura do disco. Ao recuperar essa altura, o espaço por onde sai o nervo volta a abrir e a raiz fica descomprimida de forma indireta, sem precisar de a manipular diretamente. Ao mesmo tempo, corrige-se parte do deslizamento e melhora-se a curvatura natural da coluna naquele nível. A cirurgia lombar anterior é uma das áreas em que tenho maior diferenciação.
A cirurgia: como a fiz
Por um acesso anterior ao abdómen, removi o disco de L5-S1 e coloquei um implante intersomático que restabeleceu a altura do disco, corrigiu parte do deslizamento e melhorou a curvatura do segmento. Para reforçar a estabilidade da montagem e favorecer a consolidação da artrodese, complementei com uma fixação posterior por via percutânea, com parafusos colocados através de pequenas incisões. A cirurgia decorreu sem intercorrências.

Evolução e resultados
O pós-operatório correu bem, sem intercorrências. A doente teve uma melhoria significativa da dor lombar e da dor nas pernas, com uma recuperação funcional progressiva. As radiografias confirmaram um bom resultado, com o alinhamento corrigido e os implantes bem posicionados. O resultado final foi muito satisfatório.

Conclusão
Este caso ilustra o tratamento de uma espondilolistese instável de L5-S1: estabilizar o segmento e descomprimir a raiz nervosa de forma indireta, por via anterior, corrigindo o alinhamento e poupando a musculatura posterior da coluna. O resultado foi um alívio significativo da dor e a recuperação da função.
Tem Espondilolistese de L5-S1 (grau I, por lise ístmica bilateral, com instabilidade)? Marque uma avaliação.
Caso clínico real, partilhado com o consentimento do doente. A identidade é protegida e as imagens são publicadas mediante autorização.