Hérnia discal lombar L4-L5 tratada por endoscopia biportal (UBE): resolução de uma ciatalgia intensa

Homem de 51 anos com ciatalgia esquerda intensa por hérnia discal L4-L5, com extrusão e migração. Foi tratado por endoscopia biportal (UBE), com remoção da porção extrusa através de duas incisões de cerca de 1 cm.
Doente: Homem, 51 anos
Patologia: Hérnia discal L4-L5 (extrusa, com migração caudal)
Técnica: Endoscopia biportal (UBE)
Incisões
2 × 1 cm
Fragmento removido
3 cm
Recuperação
Favorável

Apresentação do doente

O doente recorreu à consulta por uma ciatalgia esquerda intensa, com dor que irradiava ao longo do nervo ciático e limitava as atividades do dia a dia. A intensidade da dor era elevada e comprometia de forma marcada a sua qualidade de vida.

Diagnóstico

A avaliação clínica e os exames de imagem revelaram uma hérnia discal em L4-L5, com migração caudal e uma extrusão de cerca de 3 cm. Pela localização e dimensão, o quadro era favorável a uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva.


Imagem pré-operatória
RM pré-operatória: hérnia discal à esquerda em L4-L5.

Porque escolhi esta técnica

Optei pela endoscopia biportal (UBE). Esta técnica permite aceder à coluna através de duas incisões muito pequenas, removendo com precisão o fragmento que comprime as estruturas nervosas e minimizando o trauma dos tecidos em redor. É uma das abordagens em que tenho diferenciação e que pratico de forma regular.

A cirurgia: como a fiz

Através de dois portais de cerca de 1 cm, introduzi o endoscópio e o instrumental. Sob visualização direta e ampliada, identifiquei e removi a porção extrusa do disco que comprimia a raiz nervosa, preservando os tecidos circundantes.

Fragmento discal removido durante a endoscopia biportal.
Fragmento discal removido.

Imagem intra-operatória
Imagem intra-operatória: confirmação da localização da hérnia.

Evolução e resultados

O procedimento decorreu com sucesso. O doente teve um alívio significativo da dor e uma melhoria clara da funcionalidade. Iniciou um programa de reabilitação dirigido ao fortalecimento da musculatura da coluna e à prevenção de recidivas, para uma recuperação robusta e duradoura.

Ferida cirúrgica às duas semanas, com duas pequenas incisões de cerca de 1 cm.
Ferida às 2 semanas: duas incisões de cerca de 1 cm.


Imagem pós-operatória
RM pós-operatória: ausência de hérnia.

Conclusão

Este caso ilustra que problemas que tradicionalmente exigiam cirurgias mais agressivas podem hoje ser resolvidos por via minimamente invasiva, com menos dor pós-operatória e uma recuperação mais rápida.

Dr. Rafael Portela
Cirurgia da Coluna Vertebral
Membro fundador da European Society of Endoscopy (ESE) e da ISUBE, com treino dedicado em cirurgia endoscópica da coluna.


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