Caso Clínico • Fusão Cervical
Mielopatia cervical degenerativa em C5-C6 tratada por ACDF (artrodese cervical anterior): descomprimir a medula para preservar a função
Apresentação do doente
O doente, com 75 anos e até então autónomo, recorreu à consulta por um quadro que se vinha a instalar ao longo de vários meses: alteração da marcha, perda de destreza nas mãos e uma sensação de desequilíbrio. Notava dificuldade crescente em tarefas finas, como apertar botões, escrever ou manusear pequenos objetos, a par de rigidez cervical e de uma sensação de fraqueza nos braços.
Diagnóstico
Ao exame, apresentava um conjunto de sinais característicos de mielopatia cervical: marcha insegura, reflexos vivos (hiperreflexia), perda de coordenação motora fina e outros sinais de sofrimento da medula. O estudo de imagem confirmou a causa: doença degenerativa cervical, com disco e osteófitos a comprimir de forma marcada o nível C5-C6, estreitando o canal e comprimindo a medula pela frente. Perante este quadro clínico e imagiológico, propus tratamento cirúrgico.

Porque escolhi esta técnica
Numa mielopatia cervical, o objetivo da cirurgia não é sobretudo aliviar a dor, é proteger a função neurológica e impedir que a compressão continue a danificar a medula. Como a compressão era anterior, em C5-C6, optei por uma artrodese cervical anterior (ACDF): por um acesso pela frente do pescoço consigo remover o disco e os osteófitos que comprimem a medula e libertá-la diretamente na origem do problema. É a via que permite descomprimir e, ao mesmo tempo, estabilizar o segmento.
A cirurgia: como a fiz
Numa mielopatia cervical, o objetivo da cirurgia não é sobretudo aliviar a dor, é proteger a função neurológica e impedir que a compressão continue a danificar a medula. Como a compressão era anterior, em C5-C6, optei por uma artrodese cervical anterior (ACDF): por um acesso pela frente do pescoço consigo remover o disco e os osteófitos que comprimem a medula e libertá-la diretamente na origem do problema. É a via que permite descomprimir e, ao mesmo tempo, estabilizar o segmento.

Evolução e resultados
Com a descompressão e a estabilização, a cirurgia cumpriu o seu objetivo principal: retirar a pressão sobre a medula e impedir a progressão da mielopatia. E é aqui que está a mensagem mais importante deste caso. A mielopatia cervical pode evoluir de forma silenciosa, mas progressiva, afetando a marcha, as mãos, o equilíbrio e a autonomia. Quando já existem sinais clínicos de sofrimento da medula, o tempo conta: o objetivo é intervir antes que as perdas se tornem permanentes. Por isso, mais do que tratar dor, esta cirurgia serve para preservar função.
Conclusão
Este caso reforça uma ideia central na patologia cervical: perante uma compressão da medula com sinais de mielopatia, o timing da decisão é fundamental. Descomprimir a medula, preservar a função, manter a autonomia.
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Caso clínico real, partilhado com o consentimento do doente. A identidade é protegida e as imagens são publicadas mediante autorização.