Caso Clínico • Prótese de Disco Lombar

Dor lombar persistente após cirurgia de hérnia: prótese de disco lombar em dois níveis (L4-L5 e L5-S1) e regresso ao desporto

Homem de 50 anos, ciclista, com dor lombar incapacitante que persistiu após uma cirurgia a uma hérnia discal em L5-S1, feita um ano antes. A ciática tinha desaparecido, mas a dor lombar mantinha-se, porque os discos de L5-S1 e L4-L5 estavam degenerados. Foi tratado por prótese de disco lombar em dois níveis, com a dor a baixar de 9 para 1 e o regresso ao desporto.
Doente: Homem, 50 anos (ciclista)
Patologia: Doença degenerativa do disco em L4-L5 e L5-S1, com dor lombar persistente após cirurgia de hérnia em L5-S1
Técnica: Prótese de disco lombar (artroplastia), 2 níveis (L4-L5 e L5-S1)
Dor lombar (VAS)
9 → 1
Regresso ao ginásio
6 semanas
Regresso ao trabalho
2 meses

Apresentação do doente

O doente, com 50 anos, ativo e ciclista regular, recorreu à consulta por dor lombar incapacitante que se mantinha após uma cirurgia a uma hérnia discal em L5-S1, realizada cerca de um ano antes, noutra instituição. Essa primeira cirurgia tinha resolvido por completo a ciática, ou seja, a compressão do nervo tinha sido bem tratada. No entanto, manteve-se uma dor lombar intensa e limitante, com rigidez matinal marcada, incapacidade para retomar o exercício e necessidade de baixa profissional.

Diagnóstico

Este é um cenário mais frequente do que parece: retira-se a hérnia e a dor ciática resolve, mas o disco já está estruturalmente degenerado. O problema deixa de ser a compressão do nervo e passa a ser o próprio disco, colapsado e doloroso, incapaz de manter uma biomecânica normal. No estudo de imagem, o disco de L5-S1 apresentava um colapso sintomático, mas havia também doença degenerativa significativa no nível acima, L4-L5. Embora a hérnia inicial tivesse sido em L5-S1, o nível de cima já mostrava um desgaste relevante, e era isso que explicava a persistência da dor lombar.


Imagem pré-operatória
RM pré-operatória: discos degenerados em L4-L5 e L5-S1 (assinalados).

Porque escolhi esta técnica

Aqui estava a chave da decisão: tratar apenas um segmento seria insuficiente, porque a dor vinha dos dois discos, não só do que tinha herniado. Por isso propus uma artroplastia discal lombar em dois níveis, L4-L5 e L5-S1. E optei pela prótese de disco, em vez da fusão, por uma razão importante neste doente jovem e desportista: a prótese alivia a dor e restaura a altura do disco mas, ao contrário da fusão, preserva o movimento dos segmentos tratados, ajudando a manter uma biomecânica mais natural da coluna. A artroplastia de disco por via anterior é uma das áreas em que tenho maior diferenciação.

A cirurgia: como a fiz

Por um acesso anterior, removi os discos degenerados de L4-L5 e L5-S1 e implantei uma prótese de disco em cada nível. Estas próteses recuperaram a altura dos espaços discais, melhoraram o alinhamento e mantiveram a mobilidade nos níveis tratados. A cirurgia decorreu sem intercorrências.

Imagem intra-operatória
RX pós-operatório: próteses de disco em L4-L5 e L5-S1.

Evolução e resultados

A evolução foi muito favorável. A dor lombar baixou de VAS 9 para VAS 1, com uma melhoria funcional significativa. O doente retomou o ginásio às 6 semanas e regressou ao trabalho aos 2 meses, recuperando de forma progressiva a sua autonomia, a confiança e a qualidade de vida.


Imagem pós-operatória
Por trás de cada boa cirurgia há sempre uma equipa dedicada.

Conclusão

Este caso mostra que nem toda a dor lombar que persiste depois de uma cirurgia ao disco significa que a hérnia voltou. Por vezes, a raiz nervosa fica bem descomprimida, a ciática desaparece, mas o disco continua a ser a principal fonte de dor. Nesses casos, com a indicação correta, a prótese de disco lombar pode ser uma alternativa à fusão: trata a dor, restaura a função e preserva o movimento. Preservar movimento, recuperar função, voltar à vida.

Dr. Rafael Portela
Cirurgia da Coluna Vertebral
Diferenciação em cirurgia lombar anterior e artroplastia de disco, com treino dedicado em Bordéus.


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Caso clínico real, partilhado com o consentimento do doente. A identidade é protegida e as imagens são publicadas mediante autorização.