Caso Clínico • Cirurgia de Revisão
Dor lombar após cirurgia à coluna: revisão de uma pseudartrose de L5-S1 por ALIF (artrodese anterior)
Apresentação do doente
A doente, com 56 anos, já tinha sido operada à coluna lombar, com uma fusão (artrodese) posterior em L5-S1. Apesar dessa cirurgia, manteve uma dor lombar mecânica importante e incapacitante, que a impedia de retomar a vida profissional. A dor agravava de pé, na marcha prolongada e aos esforços, aliviava em parte com o repouso, e vinha a piorar de forma progressiva.
Diagnóstico
O estudo de imagem explicou porquê. Havia uma pseudartrose em L5-S1, ou seja, a fusão não tinha consolidado: o nível que devia estar solidificado mantinha-se sem união óssea. A isto juntava-se a falência do material de osteossíntese e a persistência do deslizamento (listese) em L5-S1. As radiografias em carga mostravam perda de suporte anterior, instabilidade do segmento e ausência de consolidação no nível operado.

Porque escolhi esta técnica
O ponto-chave deste caso é perceber a origem da dor. Aqui, ela não vinha apenas da degeneração inicial do disco, vinha sobretudo da falência da fusão. Quando um segmento não consolida, mantém-se movimento onde devia haver estabilidade, e esse micromovimento perpetua a dor, a inflamação, a sobrecarga e a própria cedência do material. Por isso, a revisão não podia limitar-se a trocar parafusos: tinha de corrigir a causa biomecânica da falência. Optei por uma abordagem anterior, um ALIF em L5-S1. A via anterior permite colocar uma cage maior, com melhor apoio no espaço do disco, maior área de contacto ósseo e melhor capacidade de restaurar a altura do disco e a curvatura do segmento. Num contexto de pseudartrose, isto é decisivo, porque aumenta a superfície de fusão e melhora as probabilidades de o nível, desta vez, consolidar. A cirurgia lombar anterior é uma das áreas em que tenho maior diferenciação.
A cirurgia: como a fiz
Por um acesso anterior, reconstruí a coluna anterior em L5-S1: coloquei uma cage anterior estrutural, preenchida com enxerto ósseo, para restaurar o suporte e a altura do disco e aumentar a superfície disponível para a fusão. Mais do que voltar a operar, o objetivo foi corrigir uma fusão que não tinha consolidado, reconstruindo o segmento de forma biologicamente e biomecanicamente mais favorável.

Evolução e resultados
Com a reconstrução anterior, a cirurgia cumpriu o objetivo a que se propôs: restaurar o suporte anterior, aumentar a estabilidade do segmento e criar as condições para que a fusão, desta vez, consolide. E é aqui que está a lição deste caso. Nos casos de pseudartrose lombar, o planeamento é decisivo. A solução não passa apenas por trocar parafusos, passa por compreender por que motivo a fusão falhou e reconstruir o segmento de forma mais favorável.
Conclusão
Restaurar o suporte anterior, aumentar a estabilidade, criar condições para a fusão e devolver função: é este o objetivo de uma boa cirurgia de revisão. Mais do que repetir a operação, trata-se de compreender por que motivo a primeira falhou e de reconstruir o segmento para que, desta vez, resulte.
Tem Pseudartrose de L5-S1 após artrodese posterior (falência do material e listese persistente)? Marque uma avaliação.
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